Altas taxas de desemprego no Brasil se tornam um teste para o Governo Bolsonaro

A alta taxa de desemprego pode se tornar o maior teste para o novo governo do Presidente Jair Bolsonaro e seu Ministro da economia, Paulo Guedes. Bolsonaro prometeu combater a corrupção e o crime durante a temporada de campanha de 2018, mas uma taxa de desemprego de 12,4 por cento agora ameaça reduzir sua popularidade. De acordo com uma pesquisa DataFolha de setembro de 2018, apenas 14 por cento dos eleitores consideraram o desemprego o problema número um enfrentado pelo novo governo.

A pesquisa mostrou que a maioria dos eleitores estavam preocupados com a saúde pública, violência e corrupção. Bolsonaro ganhou a presidência porque se concentrou exclusivamente na violência e na corrupção, embora sem receitas políticas bem definidas. Bolsonaro e Guedes deram pouca atenção ao desafio do desemprego e afirmaram que a futura estabilidade fiscal e desregulamentação iria desencadear a aceleração da criação de emprego.

Os brasileiros ainda se preocupam com seu sistema de saúde pública, corrupção e crime, mas agora são forçados a lidar com as ameaças cotidianas ao seu bem-estar econômico após a eleição. De acordo com uma recente pesquisa da opinião pública CUT/Vox Populi, 62% dos trabalhadores brasileiros temem perder seu emprego. A proporção desce para 54 por cento para aqueles que apoiam o presidente. Hoje, a principal causa do estresse no local de trabalho no Brasil é o medo do desemprego.

O novo governo ainda não reconheceu estes receios e as elevadas taxas de desemprego. Recentemente, Bolsonaro abertamente duvidou de suas próprias estimativas do governo. O movimento #elenao não conseguiu impedir a eleição de Bolsonaro, mas o desemprego persistente poderia perfurar a bolha do presidente antes das eleições municipais de 2020.



O âmbito do desemprego


A devastadora recessão do Brasil desde o final de 2014 até o final de 2016 abalou o sistema político e impulsionou as taxas de desemprego para os seus níveis mais altos desde 2002. As linhas de trabalhadores ociosos mais do que dobraram, atingindo seu pico de 13,3 por cento durante o segundo trimestre de 2017, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

A taxa de desemprego recuou na segunda metade de 2017 e bem em 2018 antes de subir novamente para 12,4 por cento durante o primeiro trimestre de 2019. A alta taxa de desemprego do Brasil ultrapassa em muito a de seus pares regionais e expõe a profundidade superficial de sua lenta recuperação. A economia cresceu 1,5 por cento no primeiro trimestre de 2017, mas abrandou durante os sete trimestres seguintes, levando à posse do Presidente Bolsonaro. A maioria dos economistas está agora rebaixando as projeções de crescimento para 2019, enquanto 13,1 milhões de brasileiros procuram trabalho.

O desemprego persistente desenrola-se em associação com a diminuição da criação formal de emprego, o aumento da duração do desemprego e o aumento do subemprego e das formas precárias de trabalho. Estas tendências concomitantes irão se cruzar entre as regiões e as populações mais vulneráveis para desencadear uma maior oposição às políticas econômicas da administração Bolsonaro durante o período que antecede as eleições municipais de 2020.

 Após baixas modestas em 2017, tanto o Nordeste quanto o Sudeste sofreram reveses em 2018, com aumentos para 14,84 por cento e 13,20 por cento, respectivamente. No Nordeste, a maioria das capitais do estado experimentou níveis extremamente altos de desemprego em 2018, liderados por Macapá (18,2%), a capital de Amapá, e Manaus (18,1%), a capital do Amazonas. No sudeste, as megacidades do Rio de Janeiro e São Paulo registraram 12,6% e 14,2%, respectivamente. Além disso, a média nacional de 2018 para áreas metropolitanas foi de 14,42 por cento, bem acima da média nacional e taxas de desemprego rural. O desemprego brasileiro é claramente uma questão nacional com altas concentrações nas maiores áreas metropolitanas.

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